A masturbação é um pecado?

O assunto referente a masturbação sempre foi um tabu e divisor de opiniões no meio cristão, judaico e demais crenças que seguem a bíblia como guia de fé e conduta.

 

O propósito deste meu estudo sobre o assunto não é levantar discussões e muito menos defender algum ponto de vista pessoal e sim, apresentar o resultado de uma análise e exegese bíblica assim como eu tenho feito no decorrer de meu canal. 

 

No ponto de vista científico e medicinais, ao pesquisar eu apenas me deparei com os riscos da masturbação feita em excesso, em idades ainda muito precoces ou praticada de formas digamos que “perigosas”. Porém, de forma natural, a partir da idade certa e sem excesso, eu encontrei diversos estudos apenas indicando os benefícios físicos e psicológicos deste ato. Porém não os colocarei em pauta pois este estudo é de cunho bíblico e o que mais nos interessa são os impactos espirituais causados ou não causados pela masturbação.

 

O impulso sexual é uma reação fisiológica, dada por Deus, de qualquer homem ou mulher saudável. E tal reação pode aparecer muito precocemente em crianças e quase não tem limite de idade em adultos para cessar.

 

Então, e aos olhos de Deus (coisa que mais nos importa), este ato é realmente pecaminoso e pode colocar nossa salvação em risco? Vamos então agora falar sobre a masturbação no ponto de vista bíblico.

 

Durante meu estudo, eu encontrei diversos versículos bíblicos que são utilizados por quem não concorda com o ato da masturbação para embasar sua opinião. Mas vou apresentar minha análise sobre tais.

 

A masturbação também é biblicamente conhecida por “onanismo”. Este termo tem origem do nome bíblico Onã.

Onã é um personagem bíblico do Antigo Testamento, mencionado no livro de Gênesis como o segundo filho de Judá e, portanto, um dos netos do patriarca Jacó. Er, o primogênito de Judá, segundo a Bíblia, era mau e teria sido executado por Deus por um motivo não mencionado  (Gênesis 38:6-7).

 

Segundo a lei de Deus, se um homem morrer sem deixar filhos, a sua viúva não se casará com alguém de fora da família. O irmão do marido se casará com ela e cumprirá com ela o dever de cunhado. O primeiro filho que ela tiver levará o nome do irmão falecido (ou seja, será considerado como seu descendente), para que o seu nome não seja apagado (Deuteronômio 25:5-6).

 

Onã então era irmão de Er, e teve a obrigação de se casar com a viúva chamada Tamar, e dar um descendente ao seu irmão; pois negar cumprir esta ordenança era algo totalmente desonroso (Deuteronômio 25:7-9).

 

Porém, quando Onã então se deitava com Tamar, ele derramava o sêmen no chão, para ela não engravidar, porque ele não queria que seu irmão tivesse herdeiros; possivelmente porque a herança de um primogênito segundo a lei de Deus é dobrada; e como Er era falecido, tal benefício seria de seu filho. E interrompendo o coito e não gerando um herdeiro para seu irmão, Onã se apossaria de toda a herança de seu pai Judá.

Então Deus matou Onã também por cometer tal transgressão (Gênesis 38:8-10).

 

Muitos especulam que o pecado de Onã foi se masturbar ao invés de ter relações com sua esposa Tamar. Mas esta afirmação é totalmente fora da narrativa encontrada nas escrituras sagradas.

 

Outro texto bíblico utilizado para se opor a masturbação é Gênesis 2:18 onde Deus criou a mulher para ser companheira do homem e que o complete.

Obviamente que um homem deixar de adquirir matrimônio por conta de masturbação é totalmente antinatural e cai naquelas especificações negativas mencionadas no início deste estudo. E também este ato não é praticado apenas por homens!

 

Encontrei também a utilização da passagem de Gênesis 2:24 onde diz que o homem se desprenderá de seus pais e se unirá a mulher como esposa onde ambos serão uma só carne.

Continuo na mesma explicação anterior. Obviamente alguém deixar de se casar por conta de masturbação; é de natureza excessiva e sendo assim, nociva.

 

Há diversas passagens bíblicas sobre o ato do adultério e a repúdia de Deus referente a tal pecado. Porém devemos considerar a masturbação um adultério?

Nas vezes em que Deus tocou no assunto referente ao adultério (Êxodo 20:14, Levítico 20:10, Deuteronômio 5:18, Números 5:29 e outras), encontramos a palavra hebraica יִנְאַף֙ (na-aff) ou outras que partem desta raiz, que apontam o ato de adulterar em ato sexual com homem ou mulher (traição), e também o ato de adulterar contra Deus cometendo idolatria. 

Perante a lei de Deus (conjunto de seus mandamentos), não existe outro tipo de designação para adultério.

 

 

 

Também me deparei com o texto de 1 Coríntios 7:4 onde diz que “a mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim o marido; e também, semelhantemente, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim a mulher”; que é usado também para se levantar oposição contra a masturbação. Mas o contexto onde tal versículo está inserido se refere aos deveres matrimoniais de um casal e não se remete em momento nenhum sobre o ato em questão.


 

Outra passagem muito conhecida que serve de base contra a masturbação é a de 1 Coríntios 7:9 onde Paulo diz: “Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se.”

A partir da palavra “abrasar-se”, foi criada então uma concepção de que a o ato de se masturbar faz parte de tal. Mas não!

Observando o contexto do capítulo, Paulo alerta contra os perigos da prostituição, fornicação e adultério. 

Já no verso 2 encontramos as seguintes palavras: “Mas, por causa da prostituição/fornicação, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido.”

 

 

Fazendo uma rápida exegese no pergaminho do manuscrito onde tal passagem se encontra, vemos que a palavra “fornicação” é proveniente do substantivo grego πορνείας (porneias) - G4202 que tem como significados relação sexual ilícita (relação é com outro ser), seja adultério, prostituição, fornicação, zoofilia (com animais), incesto e homossexualismo.

 

Então seguindo a leitura até o verso 9, o apóstolo recomenda o casamento para que alguém solteiro ou viúvo, não se abrase e caia no cometimento da “porneias”.

Novamente não vemos nada fazendo mera referência à masturbação.



 

Outra passagem utilizada é a de Mateus 5:27-29 onde Jesus diz:

 

"Vocês ouviram o que foi dito: ‘Não adulterarás’. Mas eu lhes digo: qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração. Se o seu olho direito o fizer pecar, arranque-o e lance-o fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ser todo ele lançado no inferno.”

 

Caímos novamente na questão do adultério. Quando Cristo exclamou “vocês ouviram o que foi dito”, ele estava se referindo ao mandamento dado pelo Criador de não adulterar e já vimos as duas designações únicas nas quais Deus se referia ao se falar de adultério. Não cabe biblicamente o ato da masturbação nelas.

E sobre a questão de desejar uma mulher ou homem em pensamentos já ser adultério, se o ato for feito por uma pessoa solteira? Ela estará adulterando?

 

 

 

 

 

E para se adulterar através de pensamentos, tal pecado ocorre inclusive em atos sexuais de um casal. Não há necessidade de masturbação para que tal aconteça. E se um alguém casado praticá-la sem imaginar um adultério?

E a palavra usada por Cristo nesta frase, está representada pela palavra grega ἐμοίχευσεν (emoicheusen) - G3431; que diferentemente de πορνείας (porneias) - G4202,; não tem um significado tão abrangente de relações sexuais ilícitas e sim, como adultério dentro de um casamento propriamente dito. 

 

Notem de que estou no foco da análise do puro ato da masturbação sem serem acompanhados por comportamentos pecaminosos que realmente são proibidos por Deus.


 

Devemos ter a plena orientação de que todo mandamento bíblico faz parte integrante da lei de Deus. 

No “novo testamento”, as únicas ordenanças que são novas ou seja, parte do novo pacto são: o batismo (Mc 16:16 ), a santa ceia (Mt 26:26-30), e amar ao próximo assim como Cristo nos amou ( Jo 13:34-35 ). E todos os demais mandamentos foram extraídos da lei que o Criador entregou à Moisés.

Ao que tange ao pecado de âmbito sexual (imoralidades sexuais representadas pela palavra grega “porneas”), tudo o que a engloba faz parte então do compêndio desses mandamentos da lei de Deus.

 

Analisando então todos os 613 mandamentos contidos no “antigo testamento” inclusive dentro do idioma hebraico, não encontrei nenhuma proibição que faça mera referência ao ato de se satisfazer sexualmente sozinho ou seja, masturba-se. 

 

É imprescindível entendermos de que para um ato ser pecado, ele deve ter sido explicitamente proibido por Deus, seja em qualquer momento nas escrituras. Temos como exemplo o incesto ao que tange a conjunção entre irmãos.

Na época de Adão, Abel e Caim… a humanidade tinha como meios de se reproduzirem o casamento entre irmãos e parentes próximos e isso não era configurado como pecado. Mas, a partir do momento em que Deus  proibiu tal união, o incesto passou a ser uma grave transgressão sexual inclusive passível de morte.

 

Devemos seguir exatamente aquilo que Deus nos ordenou sem enxertarmos nada além do que está nas escrituras pois todo ensino extra-bíblico é maldito (Gl 1:8), e apenas serve para jogar fardos desnecessários em nossas costas.


 

Realmente que tudo em excesso faz mal. Seja masturbação, comida, atividades físicas e inclusive o ato sexual entre o casal.

A qualquer sinal de compulsão, devemos buscar ajuda.

E também tudo e qualquer coisa na qual se faça com pensamentos devassos, nos conduz ao pecado.

 

A única opinião pessoal que deixarei neste vídeo é para que as moças em especial as solteiras; tenham cuidado com este ato. Pois na lei de Deus uma moça que não se case pura ou seja, com sua virgindade violada, contrai para si grande desonra.

 

Para quem já conhece meu canal, eu tenho o compromisso de trazer a verdade das escrituras sagradas sem levar em consideração minhas convicções e sem colocar a doutrina da igreja acima da bíblia. Doa a quem doer!

 

Não estou aqui também para tentar convencer alguém de algo e sim, desmistificar e descriminalizar um ato no qual biblicamente não é proibido e nem sequer mencionado pelo Criador. 

 

Agora, o que cada um adota como decente ou indecente para si e para a educação de sua família também não cabe a mais ninguém decidir.

 

Como aconselhou Paulo em Romanos 14; cada um cuide de sua vida sem julgar ninguém pois cada um prestará conta de si próprio no tribunal de Deus.

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