O verdadeiro dom de línguas

O que seria o conhecido “dom de línguas” ou “língua dos anjos” tão buscado e praticado no meio cristão pentecostal?

 

Segundo a cultura cristã, o dom de línguas é o selo do Espírito Santo que é dispensado sobre o crente que o possibilita de falar “línguas estranhas” ou a “linguagem dos anjos”. Onde não há importância se a igreja está ou não compreendendo tais palavras e sim, de que Deus estaria compreendendo.  E também há mesmo quem afirme que quem não fala em “línguas estranhas” não é batizado / selado com o Espírito Santo.

 

Vamos agora ler a passagem bíblica que nos relata sobre este evento sobrenatural: Atos 2:1-11

 

“Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem. Ora, estavam habitando em Jerusalém judeus, homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu. Quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu a multidão, que se possuiu de perplexidade, porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua. Estavam, pois, atônitos e se admiravam, dizendo: Vede. Não são, porventura, galileus todos esses que aí estão falando? E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? Somos partos, medos, elamitas e os naturais da Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia, da Frígia, da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia, nas imediações de Cirene, e romanos que aqui residem, tanto judeus como prosélitos, cretenses e arábios. Como os ouvimos falar em nossas próprias línguas as grandezas de Deus?” Atos 2:1-11.

 

 

Então, de acordo com a Bíblia, o dom de línguas é a capacidade de falar outra língua conhecida, em outro idioma com o objetivo de anunciar a boa notícia e salvação por meio de Cristo e o poder de Deus.

 

Esta experiência autêntica aconteceu com os discípulos na ocasião do Pentecostes. A palavra pentecostes é grega e quer dizer “quinquagésimo (dia)”, pois essa festa era comemorada cinqüenta dias depois da Páscoa; também chamada pelos israelitas de Shavuot:

 

O relato mostra que o dom de línguas foi dado para proclamar as grandezas de Deus (Atos 2:8-11). Vemos no verso 6  a declaração: “cada um ouvia falar na sua própria língua” o que cada seguidor de Cristo dizia, e o verso 8 confirma: “e como os ouvimos falar cada um em nossa própria língua materna?” Pela terceira vez exclamaram os estrangeiros: “como os ouvimos falar em nossa própria língua as grandezas de Deus ?” (verso 11).

 

Haviam naquele lugar, várias nações de idiomas diferentes. Os apóstolos não tinham tempo e nem uma escola para aprender todos aqueles idiomas. Você percebeu? Houve uma “NECESSIDADE” de pregar o evangelho em um lugar onde havia muita gente; por isso, o Senhor deu-lhes o dom de línguas estrangeiras. Note que os discípulos não falaram palavras ou sílabas sem sentido. Eram compreendidos em outros idiomas.

 

O termo “língua dos anjos” só aparece em l Coríntios 13:1, quando Paulo afirma: “Ainda que eu fale a língua dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine.” O apóstolo está apenas destacando que, mais importante que falar a língua dos homens e dos anjos, é ter amor. 

Não está afirmando que essa manifestação estranha de língua angélica fizesse parte de nossa pregação.

Em Gênesis 18, Apocalipse 22:8- 9, Gênesis 19:15, Lucas 2:8-14 e demais passagens, vemos os próprios anjos falando idiomas humanos para que pudessem ser compreendidos.


 

 

REGRAS A SEREM SEGUIDAS NO USO DO DOM DE LÍNGUAS DE ACORDO COM O APÓSTOLO PAULO:

 

1) Observe que a mensagem foi compreendida pelos povos ali presentes. E Pedro, em seu discurso sobre a manifestação do poder de Deus e de Cristo, mais de 3.000 se converteram.

Paulo também afirma que as palavras usadas no dom são idiomas que precisam ser entendidos pelos ouvintes para que se convertam a Cristo. Não adianta nada falar num idioma que a pessoa ali presente não conheça. Leia comigo 1 Coríntios 14:6-9:

 

“Agora, irmãos, se eu for visitá-los e falar em línguas, em que lhes serei útil, a não ser que lhes leve alguma revelação, ou conhecimento, ou profecia, ou doutrina? Até no caso de coisas inanimadas que produzem sons, tais como a flauta ou a cítara, como alguém reconhecerá o que está sendo tocado, se os sons não forem distintos? Além disso, se a trombeta não emitir um som claro, quem se preparará para a batalha? Assim acontece com vocês. Se não proferirem palavras compreensíveis com a língua, como alguém saberá o que está sendo dito? Vocês estarão simplesmente falando ao ar.”  -  1 Coríntios 14:6-9

 

Então nesse texto Paulo deixa muitíssimo claro de que se no desempenho do “falar em línguas”, tais palavras não forem compreensíveis para que alguém receba alguma revelação, conhecimento, profecia ou doutrina; de nada serviu tais palavras pois ele mesmo disse que são “palavras ao vento”.



2) Leia comigo também 1 Coríntios 14:18-20

 

“Dou graças a Deus por falar em línguas mais do que todos vocês. Todavia, na igreja prefiro falar cinco palavras compreensíveis para instruir os outros a falar dez mil palavras em língua. Irmãos, deixem de pensar como crianças. Com respeito ao mal, sejam crianças; mas, quanto ao modo de pensar, sejam adultos.” - 1 Coríntios 14:18-20

 

Já aqui Paulo nos adverte em não sermos infantis e sim compreendermos o propósito do dom e usarmos com maturidade na qual Deus espera de nós. 


 

3) Ao ser manifesto o dom, deve-se ter alguém que compreenda o idioma falado e interprete a mensagem para a igreja.

 

“Sem dúvida, há diversos idiomas no mundo; todavia, nenhum deles é sem sentido. Portanto, se eu não entender o significado do que alguém está falando, serei estrangeiro para quem fala, e ele, estrangeiro para mim. Assim acontece com vocês. Visto que estão ansiosos por terem dons espirituais, procurem crescer naqueles que trazem a edificação para a igreja. Por isso, quem fala em língua, ore para que a possa interpretar.” - 1 Coríntios 14:10-13


 

4) O dom de línguas é um sinal para os descrentes a fim de que ouçam as maravilhas de Deus no idioma deles. Não é um sinal para os crentes, conforme 1 Coríntios 14:22: “De sorte que as línguas constituem um sinal não para os crentes, mas para os incrédulos; mas a profecia não é para os incrédulos, e sim para os que creem.”

 

Portanto, tal dom não deve ser usado para orgulho pessoal. O dom de línguas é concedido para evangelizar outras pessoas de outras nações que não conhecem ao Salvador.


 

5) O dom de línguas deve ser na igreja manifestado por no máximo três pessoas. Leiamos 1 coríntios 14:27.

 

"Se, porém, alguém falar em língua, devem falar dois, no máximo três, e alguém deve interpretar." 


 

Muitos cristãos de hoje ferem essas cinco regras. Em muitas congregações, por exemplo, há certo número de pessoas e todos querem falar ao mesmo tempo. E por muitas vezes, nota-se que não são palavras de algum idioma.



 

OUTROS ASPECTOS IMPORTANTES A SEREM AVALIADOS SOBRE O DOM

 

1. A gritaria não pode fazer parte da manifestação de qualquer dom – Efésios 4:30, 31;

2. A pessoa tomada pelo Espírito Santo tem paz e domínio próprio (Gálatas 5:22, 23), ou seja, não cai no chão ou sai rodopiando ou pulando.

3. O dom de línguas não provoca desordem na igreja. Em 1 Coríntios 14:33, 40 é dito que “Deus não é de confusão e sim de ordem e paz.” A obra de Deus sempre se caracteriza pela calma e a dignidade.  

4. O fato de alguém não falar em línguas não é prova de não tenha sido batizado(a) pelo Espírito Santo. A Bíblia apresenta diversas pessoas que receberam o Espírito Santo e, contudo, não falaram em línguas, pois não era necessário. São elas: 

 

• Os samaritanos (Atos 8:17);

• Maria (Lucas 1:35);

• Estevão (Atos 6:5; 7:55);

• Saul, o primeiro rei de Israel (l Samuel 10:10);

• Gideão, juiz de Israel (Juízes 6:34);

• Sansão, outro juiz (Juízes 15:14);

• Zacarias, pai de João Batista (Lucas 1:67);

• Bezalel, em tempos remotos (Êxodo 31:1-3);

• João Batista e sua mãe (Lucas 1:15 e 41);

• Os sete diáconos (Atos 6:1-7);

• Jesus Cristo (Lucas 3:22). 

 

Vemos que Jesus nunca falou em línguas. Ele não usou esse dom porque não havia uma necessidade evangelística para tal. Exigir que todos os irmãos falem em línguas é querer dirigir o Espírito. É ir contra a soberania dEle, pois somente Deus é quem distribui os dons como Ele quer: “Porém é um só e o mesmo Espírito quem faz tudo isso. Ele dá um dom diferente para cada pessoa, conforme ele quer.” -  1 Coríntios 12:11.

 

 

E para finalizar, voltando ao assunto de que há grupos cristãos que só consideram que um crente só foi batizado com o Espírito Santo se manifestar o dom de línguas; contrariando totalmente o que está escrito em Efésios 1:13 que afirma sermos selados pelo Espírito a partir do momento em que cremos em Jesus e não no momento em que “falamos línguas estranhas”), ou seja, é uma espécie de “cristão de segunda classe”. Asseguram inclusive que a única prova de ser batizado com o Espírito Santo é falar “língua estranha”. O que é uma afirmação totalmente antibíblica pois vai de contramão ao contexto e ensinamento das sagradas escrituras.

 

Este estudo não busca oprimir o dom da irmandade. Serve apenas para propagar o entendimento, baseando-se nas sagradas escrituras de que este maravilhoso dom tem propósito evangelístico ou para que nós mesmos sejamos edificados em Deus em momentos de necessidade.

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