É pecado beber bebida alcóolica?

Existem muitas objeções a respeito do uso do álcool no mundo cristão. Deve de fato um servo de Deus se abster de álcool?  Saiba a resposta para este tema á luz das escrituras.

 

Vamos iniciar o nosso estudo perante as passagens bíblicas que nos advertem quanto ao uso de bebida alcoólica.




AFIRMAÇÕES NEGATIVAS

 

QUANTO AO “ANTIGO TESTAMENTO”


Ai dos que se levantam cedo para embebedar-se, e se esquentam com o vinho até a noite! Harpas, liras, tamborins, flautas e vinho há em suas festas, mas não se importam com os atos do Senhor, nem atentam para a obra que as suas mãos realizam. - (Isaías 5:11-12)

 

“Ai dos que são fortes/corajosos em beber vinho e mestres em misturar bebidas,” - (Isaías 5:22)

 

Este capítulo de Isaías não se trata em si de mandamentos ao povo. Trata-se de um triste cântico em parábolas que retrata a situação de Jerusalém diante os olhos de Deus. 

Tal alegoria em forma de cântico demonstra o amor de Deus pelo seu povo e todas as bênçãos e maravilhas derramada em favor deles porém sem ser correspondido. Onde Israel ignorou Sua lei e agia com crueldade, injustica, imoralidades e praticavam idolatria.

Deus compara seu povo Israel com vinhedo onde Ele como um bom vinicultor que ara e fertiliza a terra com o que há de melhor e também protege suas vinhas contra todas as pragas e outros perigos. Mas na hora de colher uvas doces, tristemente colhe apenas uvas amargas.

 

Dentro do capítulo são lançadas também advertências contra atitudes más. 

Uma delas se remete sim ao uso do álcool; mas de forma inconsequente por pessoas já desviadas dos caminhos de Deus e que pelo efeito do álcool em excesso, são encorajadas a cometerem injustiças e corrupção. 

Tal passagem não se trata de um mandamento entregue por Deus proibindo o uso do álcool.



"Não convém aos reis, ó Lemuel; não convém aos reis beber vinho, não convém aos governantes desejar bebida fermentada, para não suceder que bebam e se esqueçam do que a lei determina e deixem de fazer justiça aos oprimidos”. - (Provérbios 31:4-5)

 

Nesta passagem, o rei Salomão adverte aos que possuem poder de julgar o povo não se entreguem ao álcool. Pois como Deus no passado proibiu sacerdotes de beberem antes do serviço religioso para não terem sua mente “ofuscada” e consigam distinguir entre o santo e o profano.

Assim como aos sacerdotes, o álcool pode “ofuscar” o senso de justiça de um soberano em julgar alguém ou uma causa.

Estes versos não se tratam de um mandamento entregue por Deus proibindo o uso do álcool e sim, uma recomendação de Salomão que possivelmente teve experiências desta natureza.



O vinho é zombador e a bebida fermentada provoca brigas; não é sábio deixar-se dominar por eles. - (Provérbios 20:1)

 

Já Provérbios 20:1 deixa bem claro de que Salomão está se referindo ao consumo excessivo do álcool; onde tal é consumido irresponsavelmente a ponto da pessoa ser dominada por ele.



Não ande com os que se encharcam de vinho, nem com os que se empanturram de carne. Pois os bêbados e os glutões se empobrecerão, e a sonolência os vestirá de trapos. - (Provérbios 23:20-21)

 

Nesta passagem lida, Salomão mais uma vez lança a advertência de que não nos ajuntemos com beberrões (quem bebem em excesso) e que praticam glutonaria ou seja, o pecado da gula. 

Quem é entregue a bebedices e glutonarias desperdiçam seu dinheiro com tais coisas e tais vícios os deixam preguiçosos tanto pelas decorrentes ressacas e também pelo resultado da gula que gera obesidade e suas consequências.

 

Existem mais advertências do rei Salomão em relação ao consumo do álcool. Porém sempre voltadas à quem tem autoridade sobre o povo e ao consumo excessivo.

Devemos nos lembrar de que Salomão não era um profeta e por isso, não trazia ordens de Deus ao povo. O sacerdote naquela época era Zadoque e o profeta principal se chamava Natã.



O Senhor disse ainda a Moisés: "Diga o seguinte aos israelitas: Se um homem ou uma mulher fizer um voto especial, um voto de separação para o Senhor como nazireu, terá que se abster de vinho e de outras bebidas fermentadas e não poderá beber vinagre feito de vinho ou de outra bebida fermentada. Não poderá beber suco de uva nem comer uvas nem passas. - (Números 6:1-3)

 

Esta passagem não carece de muita explicação. A proibição do consumo de derivados de uvas e outras são voltadas aos que praticam o voto de nazireu. Não ao povo em geral.


Eis que a sua alma está orgulhosa, não é reta nele; mas o justo pela sua fé viverá. Tanto mais que, por ser dado ao vinho é desleal; homem soberbo que não permanecerá; que alarga como o inferno a sua alma; e é como a morte que não se farta, e ajunta a si todas as nações, e congrega a si todos os povos. - (Habacuque 2:4,5)

 

"Ai daquele que dá bebida ao seu próximo, misturando-a com o seu furor, até que ele fique bêbado, para lhe contemplar a nudez.” - (Habacuque 2:15)

 

Neste capítulo do livro do profeta Habacuque há o cenário de uma Jerusalém apóstata. Durante o cativeiro babilônico, Deus ordena que o profeta escrevesse suas advertências em letras grandes em tábuas bem visíveis à quem passava.

Através da visão, Habacuque compreende que tanto os homens de Judá e Israel quanto os caldeus eram ímpios perante o Senhor. Aqueles que Habacuque considerava mais justos que os caldeus, diante da visão tornaram-se ‘mais’ ímpios, visto que o povo que se chama pelo nome de Deus era dado ao vinho (v. 5).

Qual o vinho que o povo de Israel se embriagava? O vinho produto do fruto da vide? Não! O vinho que os ímpios de Israel eram ‘dados’ (entregues) é o sono profundo que falou o profeta Isaías: “Pasmai, e maravilhai-vos, folgai, e clamai; bêbados estão, mas não de vinho, andam titubeando, mas não de bebida forte. O Senhor derramou sobre vós um espírito de profundo sono. Ele fechou os vossos olhos (os profetas); ele vendou as vossas cabeças (os videntes)” ( Is 29:9 -10).

Então quem não compreende as palavras da profecia é dado ao “vinho”, ou seja, é desleal (ímpio). Anda titubeando. Diferente do justo que vive pela fé, o ímpio (homem soberbo) não permanecerá (v. 5).

E estes também cambaleiam pelo efeito do vinho, e não param em pé por causa da bebida fermentada. Os sacerdotes e os profetas cambaleiam por causa da bebida fermentada e estão desorientados devido ao vinho; eles não conseguem parar em pé por causa da bebida fermentada, confundem-se quando têm visões, tropeçam quando devem dar um veredicto. Todas as mesas estão cobertas de vômito e não há um só lugar limpo. - (Isaías 28:7-8)

 

Tal texto se trata de uma profecia contra as tribos de Efraim e Judá que estavam conforme podemos ver em vários capítulo do livro deste profeta, totalmente fora dos caminhos estabelecidos por Deus e totalmente entregues a bebedices. Neste capítulo Deus se volta principalmente aos líderes dos povos nos quais há advertências de que não se embriaguem para que seus julgamentos não sejam prejudicados; inclusive os sacerdotes que não mais respeitavam a proibição de embebedar-se antes do serviço religioso.



 

Em todo o “antigo testamento” apenas iremos nos deparar com referências ao que tange à advertências e relatos quanto o consumo de álcool de uma forma sem controle onde o mesmo também é utilizado para encorajar o mal e a conduzir alguém ao erro. Também encontramos advertências e relatos semelhantes quanto ao mau uso e apego ao dinheiro.

 

A única proibição que temos em referência ao álcool é quanto aos sacerdotes em serviço religioso. Vamos ler:

 

“Depois o Senhor disse a Arão: "Vo­cê e seus filhos não devem beber vinho nem outra bebida fermentada antes de entrar na Tenda do Encontro, senão vocês morrerão. É um decreto perpétuo para as suas gerações.” - Levítico 10:8-9


 

Fora esta proibição; repito, destinada aos sacerdotes em serviço religioso; não vemos no “antigo testamento” nada além.




QUANTO AO “NOVO TESTAMENTO”


Vamos agora analisar as afirmações negativas quanto ao consumo do álcool no “novo testamento”.

 

Semelhantemente, ensine as mulheres mais velhas a serem reverentes na sua maneira de viver, a não serem caluniadoras nem escravizadas a muito vinho, mas a serem capazes de ensinar o que é bom.  -  Tito 2:3

 

Ora, as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e libertinagem; idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes. Eu os advirto, como antes já os adverti: Aqueles que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus.  -  Gálatas 5:19-21

 

Os diáconos igualmente devem ser dignos, homens de palavra, não amigos de muito vinho nem de lucros desonestos. - 1 Timóteo 3:8

 

“E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito” (Efésios 5:18)

“É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, sóbrio, prudente, respeitável, hospitaleiro e apto para ensinar; não deve ser bêbado/beberrão, nem violento, mas sim amável, pacífico e não apegado ao dinheiro.” - 1 Timóteo 3:2,3

 

“Por ser encarregado da obra de Deus, é necessário que o bispo seja irrepreensível: não orgulhoso, não briguento, não bêbado/beberrão, não violento, nem ávido por lucro desonesto.” - Tito 1:7

 

Como então podemos bem observar, todas as passagens que citam o uso de bebida alcoólica, está atrelada ao consumo excessivo sem responsabilidade. O que é extremamente desaconselhável.





AFIRMAÇÕES POSITIVAS

 

QUANTO AO “ANTIGO TESTAMENTO”


“Se vocês obedecerem a essas ordenanças, as guardarem e as cumprirem, então o Senhor, o seu Deus, manterá com vocês a aliança e a bondade que prometeu sob juramento aos seus antepassados. Ele os amará, os abençoará e fará com que vocês se multipliquem. Ele abençoará os seus filhos e os frutos da sua terra: o cereal, o teu vinho e o azeite, as crias das vacas e das ovelhas, na terra que jurou dar aos seus antepassados.” - Deuteronômio 7:12,13


 

“Portanto, se vocês obedecerem fielmente aos mandamentos que hoje lhes dou, amando o Senhor, o seu Deus, e servindo-o de todo o coração e de toda a alma, então, no devido tempo, enviarei chuva sobre a sua terra, chuva de outono e de primavera, para que vocês recolham o seu cereal, e tenham vinho novo e azeite.”  -  Deuteronômio 11:13,14


 

“Separem o dízimo de tudo o que a terra produzir anualmente. Comam o dízimo do cereal, do vinho novo e do azeite, e a primeira cria de todos os seus rebanhos na presença do Senhor, o seu Deus, no local que ele escolher como habitação do seu Nome, para que aprendam a temer sempre o Senhor, o seu Deus. Mas, se o local for longe demais e vocês tiverem sido abençoados pelo Senhor, pelo seu Deus, e não puderem carregar o dízimo, pois o local escolhido pelo Senhor para ali pôr o seu Nome é longe demais, troquem o dízimo por prata, e levem a prata ao local que o Senhor, o seu Deus, tiver escolhido. Com prata comprem o que quiserem: bois, ovelhas, vinho ou outra bebida fermentada, ou qualquer outra coisa que desejarem. Então juntamente com suas famílias comam e alegrem-se ali, na presença do Senhor, do seu Deus.”  -  Deuteronômio 14:22-26


 

Neste bloco de versos podemos notar de que em muitas promessas de Deus mediante obediência de Seu povo, a fartura de vinho está inclusa. Como que beber vinho seria considerado um desagrado à Deus mediante isso?

Vemos também o próprio Deus ordenando que Seu povo se alegre com vinho e demais bebidas fermentadas!

QUANTO AO “NOVO TESTAMENTO”

 

Eu não poderia encerrar e concluir este estudo sem apresentar peculiaridades sobre o ato de ingerir bebida alcoólica presente no “novo testamento”.

 

Vamos iniciar então com o escrito de Paulo em Efésios 5:18 que diz:

 

“E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito;”  -  Efésios 5:18


 

O vocábulo “embriagueis”, origina-se da correta tradução da palavra grega “μεθύσκεσθε” (methyskesthe) - G3182 cuja esta vem da raiz “μεθύσκω” (metusko); conjugada no verbo imperativo presente passivo, da segunda pessoa do plural É muito importante guardarmos esta palavra.


 

Segundo João 2:10 Jesus deu mais vinho para aqueles que já estavam embriagados:

 

“E disse-lhe: Todo o homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho.”  -  João 2:10


 

Esta passagem afirma que nas festas daquela época era costume primeiramente se servir um vinho de melhor qualidade e na medida em que os convidados iam se embriagando, eles começavam a servir o vinho de qualidade mais inferior dado a incapacidade de alguém alcoolizado fazer distinção entre as qualidades.

 

Mas o texto diz “bebido bem” e não “embriagado” !

 

Nesta passagem, a expressão “bebido bem” é procedente do vocábulo grego “μεθυσθῶσιν” (methysthōsin) - G3184, que é a conjugação no verbo subjuntivo aoristo passivo da 3º pessoa do plural de “μεθύσκω” (metusko) - G3184, mesma raiz grega que acabamos de ver em Efésios 5 e que denota de fato os significados: intoxicar, embebedar, ficar bêbado.

 

Vamos agora raciocinar um pouco.

Pelo primeiro milagre de Jesus relatado nas escrituras; se o ato de beber bebida alcóolica fosse de fato um pecado, não era para Cristo ter dito assim que o vinho acabou e todos já estavam bêbados; dizer palavras semelhantes á de Paulo?: “E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito;” 

 

Mas muito pelo contrário, Cristo mandou encher jarros de água e as transformou em vinho. Dando ainda mais álcool para aos que já estavam alcoolizados !



 

Vamos analisar a passagem de Lucas 7:34 que diz:

 

“Veio o Filho do homem, que come e bebe, e dizeis: Eis aí um homem comilão e bebedor de vinho, amigo dos publicanos e pecadores.”  -  Lucas 7:34

 

 

 

 

 

Nesta passagem Jesus questiona desde o verso 33 que João Batista “não comia e nem bebia” (óbviamente de que não estava se tratando de água), pois conforme podemos ver nos manuscritos constam os substantivos “ἄρτον” (arton) - G740 e “οἶνον” (oinon) - G3631 que significam pão e vinho; e mesmo assim eles o acusavam de endemoniado.

 

E que agora veio Ele, o Filho do homem que come e bebe (obviamente também não estava se tratando de beber água), pois veremos no texto grego dos manuscritos legítimo que a expressão “bebedor de vinho” é originada do vocábulo “οἰνοπότης” (oinopotes) - G3630 o qual denota os significados de: bebedor (apreciador) de vinho, dado ao vinho, bêbado. Fazendo então contraste com João Batista o qual não bebia vinho devido ao seu voto de nazireu.

 

Mas será que tal afirmação seria de fato uma acusação infundada dos fariseus contra Cristo?

Se tal discurso fosse de fato uma falácia, Jesus então não seria amigo de publicanos e pecadores.

Então as passagens em que Jesus escolheu um publicano (Mateus), para ser apóstolo foi mentira? E que Ele era amigo dos pecadores também era mentira? Então o relato do apóstolo Lucas sobre essa afirmação de Cristo em que Ele mesmo disse nesse capítulo e versículo ser “apreciador de vinho” foi mentira?

 

E fora tudo o que já apreciamos neste estudo, não há na Torah (lei de Deus), nenhum mandamento que proíba o consumo de bebida alcoólica. Obviamente estamos falando de seu consumo moderado pois tudo em excesso é prejudicial; inclusive a comida; que causa obesidade e seus males subsequentes. 



 

CONCLUSÃO

 

Já vimos de que o consumo de bebida alcoólica não é pecado e sim, por vezes incentivado por Deus e apreciado por Cristo.

 

Eu, particularmente digo que o uso do álcool pode se tornar algo muito perigoso biologicamente, socialmente, familiarmente e espiritualmente.

Obviamente que há pessoas que bebem moderadamente durante toda a sua vida sem causar absolutamente nenhum tipo de mal e não será por "beber moderadamente", que perderá a sua salvação. Pois perante as sagradas escrituras, mesmo havendo diversas advertências a respeito do uso consumo de bebidas alcoólicas, Deus não o proíbe em si.

 

O propósito deste estudo é mostrar apenas a verdade. Você pode fazer a opção pessoal da abstenção do álcool; porém, se cruzar com um irmão tomando um vinho, uma cerveja ou seja a bebida que for; por favor, não o julgue como “fraco” ou pior, “pecador”. Pois é você quem estará pecando levantando falso testemunho contra o seu próximo (Êxodo 20:16).

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